quarta-feira, 6 de julho de 2011

O acaso (Davi Salles)

O acaso é um encontro disfarçado para os desavisados
É uma armadilha perfeita, um plano do curso das coisas pré destinadas
É o inusitado surpreendendo, basta olhar para o lado
É uma teia que nos envolve, nos laça, nos embaraça
Coincidências não existem quando o destino está no controle
Nada é por acaso, diz o dito popular
É inexorável essa força quando algo precisa se consumar
Quando dois seres nasceram para juntos uma vida compartilhar, se unirem...
Quando um nó tem de desatar, acontecer, fazer valer o que tem de ser
É como um rio que brota e viaja para no mar desaguar
Água doce e salgada a se misturar
Nada e ninguém esse curso poderá mudar
O acaso é o pseudônimo do encontro
Fugir dele é um engano, por trás desse momento, por debaixo desse pano
Pode ser algo soberano, profundo, relevante
Um divisor de águas na sua historia
A partir daquele instante o acaso são cinco letras de proporções gigantes
Pode simplesmente virar do avesso e você vira a mesa
Abre a sua visão, vem uma repentina certeza
Uma vida mórbida e vazia esvai-se na correnteza
Pode mudar a sua geografia, seu endereço, sua moradia
Mexer com sua estrutura, o acaso pode te injetar uma dose de loucura
Botar o pé na estrada, sair à procura, numa busca desenfreada
De algo desconhecido ou de um sonho adormecido
O que nunca tinha vivido, o acaso já mexeu comigo contigo
Por mais que não tenhas se apercebido
Do nada tudo acontece, quando esse moço aparece
Traz-te alguém que te entorpece, te balança e jamais se esquece
O acaso pontua, na minha vida, na sua.
Essa é a verdade nua e crua.

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