segunda-feira, 11 de julho de 2011

Depressão ( Davi Salles )

Depressão ( Davi Salles )
Isolamento involuntário, é gente, como peixes num aquário
Medo, pânico, como roupas no armário
Silencio, tristeza, desleixo com a beleza
Ausência da certeza,é um exílio sem opção, intermináveis encontros
Com a face horrenda da solidão... patologia democrática
Não escolhe endereço, castas nem etnias sem preconceito
Ela deixa as vitimas apáticas não tem relevância seu saldo bancário
Sua classe social, sua conduta moral ......, sua moradia
Modifica o seu dia a dia extermina sua simpatia assassina sua alegria .
enigmática, a depressão é abstrata, Invisível mas sorrateiramente, silenciosamente mata, maltrata ,desgasta corroendo sua vontade de viver de ver mais um dia amanhecer
Implacável com o deprimido, o exclui do social, do convívio
Tira todo o seu brilho, a o encanto alegria o interioriza te joga num canto e o condena
E, às vezes, cumpre sozinho essa sua pena, depressão é um problema um dilema
É um abismo profundo, faz do homem sã um moribundo
Emoldura-o e o enjaula , é uma teia de angustias tecida pela gigantesca aranha da tristeza
De onde vem essa maldita? A sua origem, a sua nascente?
Só sei que afoga muita gente, num mar de dor e escuridão
Rios de lagrimas sem compaixão... às escondidas com um vazio que não termina
Assim é a depressão do homem, da mulher,do menino da , menina...
De reis e rainhas, anônimos e celebridades... das cafetinas
Que vagueiam pelas cidades, continentes nas tribos dos descontentes
Depressão é como taxi, chama-se igual em qualquer lugar
Tem de tratar, se curar, tem de entender, admitir para se salvar

sábado, 9 de julho de 2011

O passado (Davi Salles)

O charme do passado é exatamente estar no passado
Lá intocável, porém presente na memória
Não passa, não morre...
Regente das lembranças dessa orquestra
De emoções das mais diversas e distintas histórias
Vitórias, frustrações...
O passado é uma saudade para a vida inteira
A certeza que o tempo existe, é real, não é brincadeira!
Vem dele as marcas que trazemos na expressão facial
A evolução e a tecnologia, nos alerta da velocidade do tempo
Objetos obsoletos...
A energia limpa hoje que é captada dos ventos
A revolução dos computadores
A telefonia que aniquilou o romantismo das cartas e dos telegramas
Mas encurtou a distância dos continentes e das gentes
A informação, a notícia, agora aliadas da democracia
No passado era tudo bem diferente
Quem se manifestasse perecia, desaparecia
Os satélites de hoje, são armas que geram temores
Um botão pode exterminar em segundos uma nação e toda criação
Calar o canto dos cantores, nos privar da beleza e do perfume das flores
O passado das senhoras, dos senhores, dos amantes, dos amores
De alegrias e de várias dores
Das florestas desbravadas e desonradas
Pelos afiados machados e braços fortes daqueles lenhadores
Há um passado de escuridão, mas também de muitas cores e sabores.
Postado por Davi Salles
sexta-feira, 8 de julho de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Tudo desapareceu

tudo desapareceu (Davi Salles)


Nordeste pouco chove!
O sol forte escaldante, faz a terra se enrugar
Gente forte ao Deus dará...
O que se planta, pouco se colherá, mal dá pra se sustentar
Pois a chuva vez em quando, quando em vez é que cai lá.

Retirantes são aos montes, vão em busca de horizontes.
Numa ânsia de melhoras, é por isso que vão se embora
Sem saber o que esperar
Em paus de araras, nas estradas empoeiradas
Varando as madrugadas, com os olhos a lagrimar.

Deixando aqui a terra seca, mais se afundam nas enchentes
Presos na cidade grande, na selva de pedra de gigantes
Muitos viram indigentes.
Sofrem longe dos amigos e dos olhos dos parentes
Por terem pouco saber, menos tem a receber
São tratados diferentes, totalmente indiferentes.

Na mala levam a saudade, no rosto estampam a tristeza
Nordestino tem nobreza, um forte com certeza!
Mesmo com tanta pobreza, passa fome e incertezas
Não amarga a sua vida.
Na voz sempre uma cantiga, uma história sertaneja
Uma moda de viola, no radinho velho de pilha
Mata um pouco da saudade, da sua terra querida.

Deixou lá o seu rancho amado,
Seu berrante foi calado.
Na parede da cabana, hoje mudo e empoeirado nunca mais foi entoado
Nas lembranças, comitivas, quanto gado foi tangido.
No lombo do seu cavalo, quanta prosa, quantos causos...
Com o seu “cumpade” amigo
Com seu toque emocionado, pelas estradas dessa vida
Muitas léguas percorreu na lida, no sereno, chuva e sol
No ventre das madrugadas, nessas terras de meu Deus...
Muitos cantos conheceu, jamais nunca se perdeu
Muitas raparigas nos bordeis, muita dança e bebida,
Ao lado de mulheres da vida, muitas vezes amanheceu
Teve uma paixão proibida, que com o tempo também pereceu.

Sua cabrocha companheira
Mulher forte parideira, três rebentos ela lhes deu
Roberto o caçula, Claudionor o mais velho,
Antônio era o do meio, que Deus cedo levou.
Pois a seca o abateu, o seu corpo não agüentou.
Por falta de água e do alimento, Jesus Cristo o chamou
O roçado, suas vaquinhas, o carro de boi quebrado.
Era tudo o que ele tinha, sua riqueza e seu passado
Junto com o chão rachado, tudo desapareceu...
Hoje longe, desgarrado, sempre lembra emocionado
Com os olhos marejados, de tudo que se sucedeu.

Dos tempos das vacas gordas, da fartura das arroubas,
Tudo que lhe foi tirado, enganado e iludido
Do seu mundo foi banido.
O seu reino encantado, foi todinho destruído
Viu seu sonho de menino, ruir e desmoronar
Sua terra, sua base, a herança familiar...
Quase vira um bandido, as vezes pra fome matar
Infligiu as leis dos homens, sujou seu nome, até teve que roubar.

Agora aqui saudoso,
Magro triste e doente, solitário descontente, junta tudo novamente
Pra o sertão quente e contente, livremente retornar.
Viu que a seca é quase nada
Comparado a impotência de ver sua morada inundada pela enchente.
Sem o poder da providência, viu também a indiferença estampada dessa gente bem vestida e apressada.
Que nem olha para os lados, passa reto ao sofrimento, a súplica ou ao lamento
No sertão tem falta d'agua
Muitas vezes até do pão...
Mas ninguém nega um carinho, um olhar, uma palavra
Nordestino tem na alma o respeito pelo irmão.
Postado por Davi Salles
quarta-feira, 6 de julho de 2011
O acaso (Davi Salles)
O acaso é um encontro disfarçado para os desavisados
É uma armadilha perfeita, um plano do curso das coisas pré-destinadas
É o inusitado surpreendendo, basta olhar para o lado
É uma teia que nos envolve, nos laça, nos embaraça
Coincidências não existem quando o destino está no controle
Nada é por acaso, diz o dito popular
É inexorável essa força quando algo precisa se consumar
Quando dois seres nasceram para juntos uma vida compartilhar, se unirem...
Quando um nó tem de desatar, acontecer, fazer valer o que tem de ser
É como um rio que brota e viaja para no mar desaguar
Água doce e salgada a se misturar
Nada e ninguém esse curso poderá mudar
O acaso é o pseudônimo do encontro
Fugir dele é um engano, por trás desse momento, por debaixo desse pano
Pode ser algo soberano, profundo, relevante
Um divisor de águas na sua historia
A partir daquele instante, o acaso são cinco letras de proporções gigantes
Pode simplesmente virar do avesso e você vira a mesa
Abre a sua visão, vem uma repentina certeza
Uma vida mórbida e vazia esvai-se na correnteza
Pode mudar a sua geografia, seu endereço, sua moradia
Mexer com sua estrutura, o acaso pode te injetar uma dose de loucura
Botar o pé na estrada, sair à procura, numa busca desenfreada
De algo desconhecido ou de um sonho adormecido
O que nunca tinha vivido, o acaso já mexeu comigo, contigo
Por mais que não tenhas se apercebido
Do nada tudo acontece, quando esse moço aparece
Traz-te alguém que te entorpece, te balança e jamais se esquece
O acaso pontua, na minha vida, na sua.
Essa é a verdade nua e crua.
Postado por Davi Salles

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O acaso (Davi Salles)

O acaso é um encontro disfarçado para os desavisados
É uma armadilha perfeita, um plano do curso das coisas pré destinadas
É o inusitado surpreendendo, basta olhar para o lado
É uma teia que nos envolve, nos laça, nos embaraça
Coincidências não existem quando o destino está no controle
Nada é por acaso, diz o dito popular
É inexorável essa força quando algo precisa se consumar
Quando dois seres nasceram para juntos uma vida compartilhar, se unirem...
Quando um nó tem de desatar, acontecer, fazer valer o que tem de ser
É como um rio que brota e viaja para no mar desaguar
Água doce e salgada a se misturar
Nada e ninguém esse curso poderá mudar
O acaso é o pseudônimo do encontro
Fugir dele é um engano, por trás desse momento, por debaixo desse pano
Pode ser algo soberano, profundo, relevante
Um divisor de águas na sua historia
A partir daquele instante o acaso são cinco letras de proporções gigantes
Pode simplesmente virar do avesso e você vira a mesa
Abre a sua visão, vem uma repentina certeza
Uma vida mórbida e vazia esvai-se na correnteza
Pode mudar a sua geografia, seu endereço, sua moradia
Mexer com sua estrutura, o acaso pode te injetar uma dose de loucura
Botar o pé na estrada, sair à procura, numa busca desenfreada
De algo desconhecido ou de um sonho adormecido
O que nunca tinha vivido, o acaso já mexeu comigo contigo
Por mais que não tenhas se apercebido
Do nada tudo acontece, quando esse moço aparece
Traz-te alguém que te entorpece, te balança e jamais se esquece
O acaso pontua, na minha vida, na sua.
Essa é a verdade nua e crua.