sábado, 27 de março de 2010

Dois monstros ( Davi Salles )

Dois monstros ( Davi Salles )

Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá comentem um crime vil cruel inaceitável.
Um genitor que deveria ser por natureza o protetor do seu rebento, nesse caso é co autor desse ato de crueldade extremamente violento que só revela a sua desumanidade.
Tentaram ludibriar, pericias contestaram laudos científicos provas cabais com negativas e investidas frustradas desse monstro e da sua amada que coincidentemente tem o mesmo nome da mãe. Que foi furtada do deu bem mais precioso o anjo Isabela que fora por essa outra estrangulada. Espancada, judiada, asfixiada e da janela daquele covil de cobras foi por esse psicopata atirada.
Chocaram o país inteiro com um cinismo repugnante lágrimas e negativas revoltantes se declaravam inocentes desse delito deprimente acostumados a impunidade.
Acharam que iriam sair dessa e voltar ao convívio da sociedade, mas o seu engano.
Hoje está estampado em todos os jornais e a justiça foi feita como em poucos episódios já vistos, com as mesmas características, com o requinte de crueldade que foi revelado.
Esses dois pulhas, canalhas bem nascidos educados em colégios de classe alta são a prova que o ciclo social e nível intelectual não impedem o homem de se contaminar e avançar a linha tênue que separa o ser humano do lado animal, pois é assim que vejo esses dois covardes que sem piedade tiraram a vida de uma criança inocente indefesa e totalmente pura.
Sem chances de se defender da ira e da violência que veio de onde jamais se poderia esperar, daqueles que deveriam zelar pela sua integridade física mais infelizmente eles são os protagonistas dessa atrocidade que marcou a história do país. Comoveu e consternou a população gerando revolta indignação.
E uma onda de protestos, manifestos em prol dessa tão esperada condenação.
Gente dessa estirpe com essa alma só merece reclusão.
Fragmentou famílias interrompeu um ciclo de uma história e agora fica a saudade, as lembranças. Até quando nossas crianças serão reféns dessa maldita escória
Essa sentença só nos conforta nos aparta do fantasma da impunidade.
A lei dos homens já foi cumprida então descanse em paz Isabela querida.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Meu lado animal

Meu lado animal (Davi Salles )

Por puro instinto, por ser um varão
a pressão social, ser o macho, machão
mito cultural. Quis e exerci o meu lado animal
Dizer não a uma fêmea não poderia jamais
que blasfêmia, ao mundo masculino seria eu banido
Criticado ultrajado, até diminuído

Assim em muitos leitos dormi
despertei, amanheci, para alguns desses jamais retornei
raízes não finquei, muitas bocas beijei
das mais variadas eu provei sem amor,
Nem pensei se algum sentimento eu alimentava
Esperanças plantava, filhos dessas aventuras sei não gerei
a mim mesmo enganei, muito tempo perdi
entretanto cresci, amadureci me plantei experiência ganhei

Não percebia que nessa busca voraz
que o buscado, muitas vezes não vem
O que me movia era o sabor da conquista
o desafio o ser machista, oportunista sinceramente desenvolvia a cobiça
Era mulher, submissa, feminista, advogada, médica, artista
Histórias diversas de loiras, morenas, negras, mulatas do oriente ocidente.
Qualquer continente, solteiras, casadas, devassas, carentes
Corpos bonitos, belos sorrisos ficaram para trás de nada restou
Pois nada sobrou, na grande maioria e da minoria
Algum laço estreito, respeito amizade ou alguma saudade
De algumas fulanas que eram boas de cama
Que um dia me amou


Safadas, sacanas, ligadas à fama
Ligadas ao corpo que cuido, trato esse retrato
Eu atraia, dele me valia, na praia, na rua, no trânsito, em festas
E logo ao meu lado estavam despidas, completamente abertas
Escancaradas, libertas
Entregues, ligadas conectadas a minha sintonia
na orgia ao pecado gostoso para muitos maldosos
Mas muito praticado o ato do gozo.

Todo mundo fala, condena, aponta
Mais não é da sua conta, onde meu membro adentra
Ou quanto ele agüenta, satisfaz a loba cheia de desejos
Adolescente curiosa, pimenta, repleta de medos anseios, sedentas
A madura vivida sem rodeios disposta a viver sem se arrepender
Mostrava a que veio
Olhares, deprimidos, desejos enrustidos
longe dos olhos de seus maridos
Culpados por darem espaço a infidelidade
O preço que pagam pela ausência e falência da sua união
Não são atenciosos ao cônjugue, ao seu par
Vítimas da rotina, a famosa, vilã a malvada.
Quase sempre citada como o ponto de partida, do desgaste, da relação saturada
já sem emoção, atrai o adultério, segredo mistério vem a calhar

Universo feminino, vaidades sempre as mesmas unhas, cabelos, peles, regimes.
Tudo em busca da beleza.
Tem a falsa amiga que tudo critica
Em tudo ela opina, a passar incerteza
A invejosa, maldita coitada é uma encalhada enjeitada
Ninguém te deseja

Sem esquecer o ciúme elemento de costume
se dosado um tempero
Se virar desespero é mexer num vespeiro
É correr para o fracasso, fiasco
Desata os laços, estraga os momentos
Sentimento horrendo, pobre e mesquinho, violento
porque não dizer que é assassino se cruzar teu destino.
Feche a sua porta fuja desse veneno
Não deixe que faça morada
não queira esse mal companheiro se aproxime do seu conviver
Não o tenha como inquilino morando dentro de você

Meu lado animal, seduzia usava descartava
muitas nem atendia depois de ter feito o que bem queria,
E para outra vítima logo partia
Era assim, um tarado, safado, um galinha
Com o tempo tive que aprender um homem se mede pelo seu poder
Quando ele conquista, todos os dias, não varias mulheres mais a mesma
Dia após dia com quem ele partilha a ávida a sua alegria
O conquistador, o dom Juam sedutor, sempre acaba sozinho
Ou acorda a tempo de não ser mais sedento
Não viver momentos mais se plantar no ninho

sexta-feira, 19 de março de 2010

eu tenho sede

Tenho Sede (Davi Salles)

Tenho sede, não só de água. Tenho fome, não só da carne que se come,
Mas do saber, de abrir meu mundo, pra dominar
Temas, assuntos. Debater, ir lá para o fundo
Fazer valer minha opinião, tenho fome é de ter razão não só de pão.
Não sou doutor por opção, um autodidata com ostentação
Não desprovido de educação, do conhecimento e, do exercício da evolução
Sou aprendiz, entendo, compreendo, sem o diploma
Sem tantas honras, sem o canudo, eu ganho o mundo
Sou mesmo assim, rebelde, ousado, astuto. Nada me doma. Isso me toma
Sou contudo um obstinado, abençoado!
A minha sede me fez maior, eu tenho o dom do rouxinol
Do sabiá, bebo das fontes mais cristalinas, gosto do amor, da minha sina
Das mulheres, das meninas, eu sou guloso, teimoso, tinhoso, sou osso duro de roer.
O meu valor não tem escola, nem faculdade,
O meu talento ninguém ensina, ninguém controla.
Tem propriedade, é singular, sem igual. Nasce do nada, brota do tudo,
E logo o mundo já cantarola este no rádio, na mídia, nos discos, nas vitrolas
Tem matéria, não tem didática, uso a fonética, a matemática, compasso jamais, a régua.
São frases, trocadilhos, quando passeio nas trilhas, nos trilhos, na estrada, nas ilhas, à noite, de dia, na madrugada.
Na teia, na veia, na bela e na feia, na moda no antigo
Proveito eu tiro, do negativo, do positivo do sim e até do não
Minha fala parece às vezes, mais um canhão
És minha trova, metralhadora compositora no parto, exteriorizo, vomito minha razão a vocação ponho pra fora, explicito, convido a emoção.
Traduzo as vontades, ansiedades do meu coração. Não só as minhas, mas de uma nação.
Abato a tristeza, puxo o gatilho, eu miro no alvo no meio, no seio sem pena e sem dó.
Afasto esse cálice da depressão, a minha sede me traz inquietude, me faz ser sozinho, mas sou livre como um passarinho que voa ao céu.
Passeia, dá volta e meia mais sempre pousa no velho ninho, sou diferente, sigo um caminho feliz contente.
Este presente vem lá de cima, me contamina, me foi dado, concedido, fui agraciado escolhido
No universo, no firmamento, sou personagem assim eu penso, e acredito não é bobagem confesso o meu papel, a minha história eu cumpro.
E vivo, represento sem maquiagem, tenho argumento
Sou inteiro e não pela metade, sem meio termo com a voz em punho. Com o peito aberto com alma leve, só tenho afeto na rua na vida, na cama, embaixo do meu teto que bem me faz essa minha sede.
Essa fome se mostra eterna, me consome, me deu um nome, respaldo
Deu-me respeito, me revelou, me transformou em alguém direito. Sou referência. Tenho uma marca, tenho estilo e em mim está impresso. Esse é o motivo do meu sucesso, meu marco, trago comigo, eu tenho urgência, e não demência. Sou sedento não só da carne, que se degusta,
Devora-se, defeca, evacua deteriora, se decompõe, apodrece, se joga fora .
Se não tem alma, a mim não venha! Veja lá fora, há tanta vida que até se embrenha, tem tanta flora, tanta beleza, que o meu olhar mareja e chora.
O sol que brilha, durante o dia na exata hora, ele se vai embora.
Se não tem sede, se não tem fome, de ser alguém.
Um homem, um garimpeiro, não só de ouro, prata ou de dinheiro e tesouro
Dessa riqueza material, tem muita jóia que é invisível, abstrata
Valiosa e fundamental. Algumas querendo eu cito agora

A humildade que é tão escassa e oportuna.
Mais ausente nos que desfrutam da fama e da fortuna.
A honestidade, que passa longe das autoridades, dos governantes... errantes.
Igualdade que deveria ser regra aos que trabalham aos que se empregam
Pagam o imposto.

A tolerância, que perde espaço para o oposto,
Quem entra em cena e a protagoniza é a ignorância.
A violência desnecessária, insana, falta de clemência, de paciência.
É um terremoto, guerra civil, é o fim dos tempos que já chegou.
Será que você não viu?
Então eu digo para ser sensível. Atento a vida pra dar o amor
Para que diploma, eu não preciso ser um doutor