segunda-feira, 11 de abril de 2011

Os pais da folia ( Davi Salles )

Dodô e Osmar eram dois jovens inteligentes, românticos, eloqüentes
Inventaram algo surpreendente, diferente, jamais se preocuparam com patentes.
Nos direitos da autoria da criação, nos deram de presente a maravilhosa invenção.
Fora uma revolução, um marco no âmbito da sonorização
Influenciaram e modificaram uma geração.
Um movimento com a microfonia acidental e um pedacinho de pau
O Axé music se fecundava, já era um embrião
Também nasceu algo fenomenal, um instrumento genuíno, original
Nosso brasileiro soteropolitano,totalmente baiano, sem igual
Dessa parceria abençoada, nascia a dinastia da família Macêdo
Prodígios, talentosos desde cedo, virtuosos por natureza.
Estrelas do carnaval!
Com uma herança genética poética de tamanha grandeza
Beleza pura.. dinheiro não, só a cultura, só emoção
Dodô e Osmar, os anjos da alegria, já foram para o andar de cima
Num lugar onde a vida nunca termina
Lá também certamente devem alegrar pierrôs e colombinas
Foliões devem ter confetes e serpentinas
Dizem que atrás do trio elétrico, só não vai quem já morreu
Se assim pensas, é um engano seu!
A fobica e aquela microfonia que uma dia aconteceu,
Originou um sonho que só cresceu e nunca desapareceu.
Transmutou-se numa velocidade, veio a modernidade
Quem diria Que a Caetanave evoluiria, resistiria e chegaria a essa idade
O palco ambulante ganhou o mundo e notoriedade, gerando empregos e oportunidades
Lotando praças atravessou o oceano,
Fez sacudir o esqueleto do americano.
A forca dos mega tons de potência que tem o DNA de dois baianos
O poder de entreter e misturar o sagrado e o profano
Os batuques, ritmos, os dialetos africanos, o rock, o frevo...
Chama gente, chame gente, quanta gente é a massa, é o bloco, é o povo.
É o camarote, é a vibração que se propaga do caminhão,
O caldeirão liquidificador dessa alquimia
Tem dendê nessa receita desses filhos da Bahia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário