segunda-feira, 22 de março de 2010

Meu lado animal

Meu lado animal (Davi Salles )

Por puro instinto, por ser um varão
a pressão social, ser o macho, machão
mito cultural. Quis e exerci o meu lado animal
Dizer não a uma fêmea não poderia jamais
que blasfêmia, ao mundo masculino seria eu banido
Criticado ultrajado, até diminuído

Assim em muitos leitos dormi
despertei, amanheci, para alguns desses jamais retornei
raízes não finquei, muitas bocas beijei
das mais variadas eu provei sem amor,
Nem pensei se algum sentimento eu alimentava
Esperanças plantava, filhos dessas aventuras sei não gerei
a mim mesmo enganei, muito tempo perdi
entretanto cresci, amadureci me plantei experiência ganhei

Não percebia que nessa busca voraz
que o buscado, muitas vezes não vem
O que me movia era o sabor da conquista
o desafio o ser machista, oportunista sinceramente desenvolvia a cobiça
Era mulher, submissa, feminista, advogada, médica, artista
Histórias diversas de loiras, morenas, negras, mulatas do oriente ocidente.
Qualquer continente, solteiras, casadas, devassas, carentes
Corpos bonitos, belos sorrisos ficaram para trás de nada restou
Pois nada sobrou, na grande maioria e da minoria
Algum laço estreito, respeito amizade ou alguma saudade
De algumas fulanas que eram boas de cama
Que um dia me amou


Safadas, sacanas, ligadas à fama
Ligadas ao corpo que cuido, trato esse retrato
Eu atraia, dele me valia, na praia, na rua, no trânsito, em festas
E logo ao meu lado estavam despidas, completamente abertas
Escancaradas, libertas
Entregues, ligadas conectadas a minha sintonia
na orgia ao pecado gostoso para muitos maldosos
Mas muito praticado o ato do gozo.

Todo mundo fala, condena, aponta
Mais não é da sua conta, onde meu membro adentra
Ou quanto ele agüenta, satisfaz a loba cheia de desejos
Adolescente curiosa, pimenta, repleta de medos anseios, sedentas
A madura vivida sem rodeios disposta a viver sem se arrepender
Mostrava a que veio
Olhares, deprimidos, desejos enrustidos
longe dos olhos de seus maridos
Culpados por darem espaço a infidelidade
O preço que pagam pela ausência e falência da sua união
Não são atenciosos ao cônjugue, ao seu par
Vítimas da rotina, a famosa, vilã a malvada.
Quase sempre citada como o ponto de partida, do desgaste, da relação saturada
já sem emoção, atrai o adultério, segredo mistério vem a calhar

Universo feminino, vaidades sempre as mesmas unhas, cabelos, peles, regimes.
Tudo em busca da beleza.
Tem a falsa amiga que tudo critica
Em tudo ela opina, a passar incerteza
A invejosa, maldita coitada é uma encalhada enjeitada
Ninguém te deseja

Sem esquecer o ciúme elemento de costume
se dosado um tempero
Se virar desespero é mexer num vespeiro
É correr para o fracasso, fiasco
Desata os laços, estraga os momentos
Sentimento horrendo, pobre e mesquinho, violento
porque não dizer que é assassino se cruzar teu destino.
Feche a sua porta fuja desse veneno
Não deixe que faça morada
não queira esse mal companheiro se aproxime do seu conviver
Não o tenha como inquilino morando dentro de você

Meu lado animal, seduzia usava descartava
muitas nem atendia depois de ter feito o que bem queria,
E para outra vítima logo partia
Era assim, um tarado, safado, um galinha
Com o tempo tive que aprender um homem se mede pelo seu poder
Quando ele conquista, todos os dias, não varias mulheres mais a mesma
Dia após dia com quem ele partilha a ávida a sua alegria
O conquistador, o dom Juam sedutor, sempre acaba sozinho
Ou acorda a tempo de não ser mais sedento
Não viver momentos mais se plantar no ninho

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